domingo, 21 de julho de 2013



Perturbação Hiperactividade com Défice de Atenção

Definição:

         De acordo com o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) caracteriza-se por um “padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento”.

         A PHDA é uma problemática que começa por criar dificuldades na aprendizagem e na adaptação do indivíduo ao meio nos seus primeiros anos de vida e que na maioria dos casos, se prolonga pela sua vida adulta, não podendo, pois, ser considerada apenas uma condição do ser criança que se ultrapassa com o amadurecimento.

         A PHDA é uma perturbação do desenvolvimento que afecta o comportamento, a atenção e o auto-controlo. Tem essencialmente uma base neuropsicológica e os factores genéticos conjugam-se com as experiências do indivíduo no seu meio ambiente, para moldar o seu comportamento e a forma como enfrenta e se integra na vida em sociedade.

A PHDA tem, pois, uma origem biológica, não sendo o resultado da forma como as crianças são educadas, da formação dos pais, do seu estatuto social ou económico, da sua religião ou das suas crenças.

Identificar a PHDA

      Para o diagnóstico da PHDA, o DSM IV da APA descreve nove sintomas de Falta de Atenção (Desatenção) e nove sintomas de Hiperactividade-Impulsividade.

         Os sintomas descritos podem, em algum momento, serem observados em qualquer criança, fruto da sua natural inquietude, o que não quer dizer que ela sofre de qualquer perturbação. Devem, por isso, serem seguidos os seguintes critérios:


Falta de Atenção (Desatenção)

         A atenção é um requisito fundamental para o processo de aprendizagem, devendo ser selectiva e contínua, isto é, orientada para um estímulo relevante de entre outros e manter-se nele por um período de tempo alargado. A atenção de uma criança com esta problemática dispersa-se facilmente com estímulos irrelevantes para a tarefa que está a realizar. A criança tem problemas em orientar a sua atenção de acordo com um processo organizado de prioridades a conceder aos estímulos que o meio lhe vai fornecendo.

         Os sintomas que, segundo o DSM-IV, são indicadores de falta de atenção, a qual adquirirá características patológicas se, com frequência, forem verificados pelo menos seis deles, são os seguintes:

1.     Não prestar atenção suficiente aos pormenores ou cometer erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras actividades lúdicas.
2.    Ter dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades.
3.     Parecer não ouvir quando se lhe dirigem directamente.
4.    Não seguir as instruções e não terminar os trabalhos escolares ou outras tarefas.
5.    Ter dificuldades em organizar-se.
6.    Evitar as tarefas que requerem esforço mental persistente.
7.    Perder objectos necessários de tarefas ou actividades que terá de realizar.
8.    Distrair-se facilmente com estímulos irrelevantes.
9.    Esquecer-se com frequência de actividades quotidianas ou de algumas rotinas.

A Hiperactividade

         Problemas de controlo dos movimentos do corpo, uma excessiva actividade motora e uma necessidade de estar em constante movimento, são as manifestações essenciais da criança hiperactiva. Segundo o DSM-IV, uma criança hiperactiva deverá apresentar persistentemente os seguintes sintomas:

  1. Movimentar excessivamente as mãos e os pés e mover-se quando está sentado.
  2. Levantar-se na sala ou noutras situações em que se espera que esteja sentado.
  3. Correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo.
  4. Ter dificuldade para se dedicar tranquilamente a um jogo.
  5. Agir como se estivesse ligado a um motor.
  6. Falar em excesso.

A Impulsividade

       A criança com PHDA apresenta uma conduta imatura e inadequada porque não tem capacidade suficiente para reflectir, nem maturidade suficiente para analisar eficazmente uma situação real ou imaginária.
         A impulsividade tem manifestações a nível emocional e cognitivo. A falta de controlo emocional leva a criança agir sem reflectir e sem avaliar as consequências dos seus actos, numa busca imediata de satisfação do desejo sentido.
         A baixa tolerância à frustração conduz a manifestações de irritabilidade, em consequência das tensões criadas pelos comportamentos imprevisíveis e à labilidade com reflexo na auto-estima.
         É de salientar que a criança com PHDA é mais propensa a acidentes em virtude da sua impulsividade ou aparente baixa consciência do risco.
         A nível cognitivo, as manifestações de impulsividade afectam sobretudo o desempenho escolar. Um comportamento cognitivo impulsivo leva a criança a responder aos estímulos sem um processo adequado de análise da informação percebida. Assim, pode apresentar dificuldades nas tarefas mais complexas como a leitura, a escrita e a matemática.
        
Segundo o DSM-IV, uma criança impulsiva deverá apresentar persistentemente os seguintes sintomas:

  1. Precipitar as respostas antes que as perguntas tenham acabado.
  2. Ter dificuldade em esperar pela sua vez.
  3. Interromper ou interferir nas actividades dos outros (intrometer-se nas conversas ou nos jogos).

 Se esta problemática existe no seio da sua família,  não desista!
 Podemos ajudar!

Unidade de Psicologia Infantil do Clubinho da Inteligência Portugal
918789545

Sem comentários:

Enviar um comentário