Perturbação Hiperactividade com Défice de Atenção
Definição:
De acordo com o DSM-IV da Associação
Americana de Psiquiatria a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
(PHDA) caracteriza-se por um “padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade,
com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente
nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento”.
A PHDA é uma problemática que começa
por criar dificuldades na aprendizagem e na adaptação do indivíduo ao meio nos
seus primeiros anos de vida e que na maioria dos casos, se prolonga pela sua
vida adulta, não podendo, pois, ser considerada apenas uma condição do ser
criança que se ultrapassa com o amadurecimento.
A PHDA é uma perturbação do
desenvolvimento que afecta o comportamento, a atenção e o auto-controlo. Tem
essencialmente uma base neuropsicológica e os factores genéticos conjugam-se
com as experiências do indivíduo no seu meio ambiente, para moldar o seu
comportamento e a forma como enfrenta e se integra na vida em sociedade.
A
PHDA tem, pois, uma origem biológica, não sendo o resultado da forma como as
crianças são educadas, da formação dos pais, do seu estatuto social ou
económico, da sua religião ou das suas crenças.
Identificar a PHDA
Para o diagnóstico da PHDA, o DSM IV da APA
descreve nove sintomas de Falta de Atenção (Desatenção) e nove sintomas de
Hiperactividade-Impulsividade.
Os sintomas descritos podem, em algum
momento, serem observados em qualquer criança, fruto da sua natural inquietude, o que não quer dizer que ela sofre de qualquer perturbação.
Devem, por isso, serem seguidos os seguintes critérios:
Falta de
Atenção (Desatenção)
A atenção é um requisito fundamental
para o processo de aprendizagem, devendo ser selectiva e contínua, isto é,
orientada para um estímulo relevante de entre outros e manter-se nele por um
período de tempo alargado. A atenção de uma criança com esta problemática
dispersa-se facilmente com estímulos irrelevantes para a tarefa que está a
realizar. A criança tem problemas em orientar a sua atenção de acordo com um
processo organizado de prioridades a conceder aos estímulos que o meio lhe vai
fornecendo.
Os sintomas que, segundo o DSM-IV, são
indicadores de falta de atenção, a qual adquirirá características patológicas
se, com frequência, forem verificados pelo menos seis deles, são os seguintes:
1. Não prestar atenção suficiente aos
pormenores ou cometer erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou
noutras actividades lúdicas.
2. Ter dificuldade em manter a atenção em
tarefas ou actividades.
3. Parecer não ouvir quando se lhe dirigem
directamente.
4. Não seguir as instruções e não terminar os
trabalhos escolares ou outras tarefas.
5. Ter dificuldades em organizar-se.
6. Evitar as tarefas que requerem esforço
mental persistente.
7. Perder objectos necessários de tarefas ou
actividades que terá de realizar.
8. Distrair-se facilmente com estímulos
irrelevantes.
9. Esquecer-se com frequência de actividades
quotidianas ou de algumas rotinas.
A Hiperactividade
Problemas de controlo dos movimentos do
corpo, uma excessiva actividade motora e uma necessidade de estar em constante
movimento, são as manifestações essenciais da criança hiperactiva. Segundo o
DSM-IV, uma criança hiperactiva deverá apresentar persistentemente os seguintes
sintomas:
- Movimentar excessivamente as mãos e os pés e mover-se quando está sentado.
- Levantar-se na sala ou noutras situações em que se espera que esteja sentado.
- Correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo.
- Ter dificuldade para se dedicar tranquilamente a um jogo.
- Agir como se estivesse ligado a um motor.
- Falar em excesso.
A Impulsividade
A
criança com PHDA apresenta uma conduta imatura e inadequada porque não tem
capacidade suficiente para reflectir, nem maturidade suficiente para analisar
eficazmente uma situação real ou imaginária.
A impulsividade tem manifestações a
nível emocional e cognitivo. A falta de controlo emocional leva a criança agir
sem reflectir e sem avaliar as consequências dos seus actos, numa busca
imediata de satisfação do desejo sentido.
A baixa tolerância à frustração conduz
a manifestações de irritabilidade, em consequência das tensões criadas pelos
comportamentos imprevisíveis e à labilidade com reflexo na auto-estima.
É de salientar que a criança com PHDA é
mais propensa a acidentes em virtude da sua impulsividade ou aparente baixa
consciência do risco.
A nível cognitivo, as manifestações de
impulsividade afectam sobretudo o desempenho escolar. Um comportamento cognitivo
impulsivo leva a criança a responder aos estímulos sem um processo adequado de
análise da informação percebida. Assim, pode apresentar dificuldades nas
tarefas mais complexas como a leitura, a escrita e a matemática.
Segundo
o DSM-IV, uma criança impulsiva deverá apresentar persistentemente os seguintes
sintomas:
- Precipitar as respostas antes que as perguntas tenham acabado.
- Ter dificuldade em esperar pela sua vez.
- Interromper ou interferir nas actividades dos outros (intrometer-se nas conversas ou nos jogos).
Se esta problemática existe no seio da sua família, não desista!
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Unidade de Psicologia Infantil do Clubinho da Inteligência Portugal
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